2019-03-03

Deus















Ensinaram-nos que Deus está no céu.
…e ainda hoje olhamos para o céu quando falamos com Deus.
Porque temos de localizar Deus em algum lugar?
Enfim, porque criámos Deus?

À parte das origens do conceito de Criador, provavelmente em uma qualquer noite onde o primeiro homem olhou o céu estrelado e vislumbrou a lua cheia a observá-lo. Ou em dias de tempestade, a ouvir o firmamento estrondar, não sabendo se eventualmente este lhe caía em cima.

Se o homem receou as forças da natureza e criou um Ser que o poderia proteger, porque o criou também para castigar? Pois…o medo, a separação com tudo o resto. O aparecimento do Eu. E a seguir a culpa e a submissão.
Não irei enredar-me em teorias sobre o que transformou a adoração ao desconhecido, milhares de anos atrás, em uma disciplina que alterou todo o curso da história, onde Deus pode castigar, e até isto o homem usar em seu proveito.
























Enfim, seja qual for a conceção, religião, doutrina, corrente, abordagem, posição, ideologia, há sempre um Deus.
Seja realizado pela razão, pela emoção, pelos sentidos, pela penitência ou transcendência, é sempre para chegar a Deus.
Estando fora ou estando dentro, seja um ou sejam muitos, existe sempre Deus.

Como pessoa, não sei responder sobre quem é Deus, o que é Deus ou por onde anda. E para afirmar tal coisa, é porque na verdade estou a conceber eu também a existência de Deus.
Contudo, não é de todo algo superior a mim, nem inferior, nem maior, nem menor, nem mais ou menos importante.

Deus é o que chamamos de nada. Deus está entre as coisas. Deus está entre mim e ti. Deus está entre uma galáxia e a outra galáxia. Deus está entre uma partícula e a outra partícula. Deus é o campo…e o campo é o que permite que tudo exista.
É como dizer que as coisas estão em Deus, e não que Deus está nas coisas.
























God is the tangential point between zero and infinity.
(Alfred Jarry)

God used beautiful mathematics in creating the world.
(Paul Dirac)

One and God make a majority.
(Frederick Douglass)

God is a verb, not a noun.
(R. Buckminster Fuller)

God ever geometrizes.
(Plato)

I believe in Spinoza's God who reveals himself in the orderly harmony of what exists, not in a God who concerns himself with the fates and actions of human beings.
(Albert Einstein)

2019-02-15

Somos feitos de















Durante séculos, achamo-nos o centro do universo.
Hoje sabemos que não somos o centro de nada. Integramos o sistema solar que, habitando a ponta da galáxia, segue o seu caminho pelo espaço a uma velocidade surpreendente.

No entanto, mantém-se em nós humanos um sentimento exagerado de grandeza, agora mais refinado e sofisticado, mas que, na verdade, tem vindo a definir toda a história da humanidade.
Continuamos tontinhos, mesmo após 50.000 anos de existência como hoje nos conhecemos. Continuamos a lutar pelo território e a formar colónias e clãs. Continuamos megalómanos, ao mesmo tempo que continuamos a procurar segurança.

Estamos neste planeta, mas ainda andamos à procura do nosso lugar. Temos a abundância da natureza, mas temos de ter mais ainda para não faltar. Somos um pacote de energia, mas temos medo de morrer.
Quando, na verdade, não somos mais que qualquer outra existência no universo.















Tudo o que que existe vem da mesma fonte, tem a mesma base de composição e a mesma capacidade de manifestação.
Cada átomo origina-se de outro átomo e cada célula origina-se de outra célula.

Somos feitos da mesma coisa que cria o universo. Dentro de nós encontra-se exatamente a mesma substância.
E nas entrelinhas, o passado, presente e futuro coexistem. Desta forma, acreditamos alegremente que há um início e um fim, quando na verdade, o universo revela-se a cada instante, rindo-se das nossas ilusões…e sofisticações.

Desconheço as verdades do universo, seja o que for que isto signifique. O que pressinto é que a ideia de que estamos todos conectados, ou que somos todos um, não faz jus à imensidão da nossa existência.
Somos feitos da mesma substância que as estrelas. Se vemos o universo fora de nós, à distância de onde os recursos permitem, muito mais existirá para além…e nós somos simplesmente tudo isso!

‘Nós somos um meio para o Universo conhecer a si mesmo. Uma parte do nosso ser sabe que essa é a nossa origem. Nós desejamos voltar. E podemos, porque o Cosmos também está dentro de nós. Nós somos feitos de matéria estrelar.’ 
(Carl Sagan)




2019-01-06

O Tempo











"- Olá Deus! Posso fazer-te uma pergunta?
- Claro meu filho. Qual a tua pergunta?
- Deus, o que é para ti um milhão de anos?
- Oh, isso para mim é só um segundo.
- Deus, e o que é para ti um milhão de euros?
- Hahaha, isso para mim é um cêntimo.
- Deus, podes dar-me um cêntimo.
- Claro meu filho, espera só um segundo."

Passamos muito tempo a ouvir que devemos aproveitar o nosso tempo de vida.

Não obstante, poucos são aqueles que entendem efetivamente esta observação.
Partindo do princípio que este universo existe há 15.6 biliões de anos (mais coisa, menos coisa), é válido dizer que 100 anos é nicles.
Atravessamos (de alguma forma que desconheço) esta realidade. E aqui estamos no vislumbre da ilusão, achando que habitamos por estas bandas durante muito tempo, quando o tempo na verdade é uma expressão do instante.
A nossa vida inteira pode ser somente um ínfimo salto na imensidão do nada…Enjoy!










People like us, who believe in physics, know that the distinction between past, present and future is only a stubborn, persistent illusion.
(Albert Einstein)

Space and time are names.
(Siddha Nagarjuna)

Just play. Have fun. Enjoy the game.
(Michael Jordan)

2018-12-06

A Unidade


Produção | oterceiroponto.blogspot.com

2018-10-21

O Movimento
















Estamos constantemente à procura de respostas no que toca ao nosso bem-estar. Pensamos que alcançamos algum estado mais satisfatório ao encerrarmos as nossas dúvidas.  E pensamos que resolvemos as coisas. Logo a seguir surgem mais questões, e, bolas, nunca mais encontramos aquele estado de alegria.
Porque há tanta confusão na nossa cabeça?

Porque afirmamos, muitas vezes com alguma vaidade, que estamos sem energia?
Nunca estamos sem energia. Somos energia! O que realmente acontece é um bloqueio no nosso fluxo energético, confusão e mais bloqueios.

O que proponho é desbloquearmos desde já o nosso fluxo e tornar a nossa vida mais simples.
O medo não faz parte de nós.
Reagir às situações é um bloqueador de energia (e vice-versa). Reagir ao invés de estar simplesmente a vivenciar a experiência.
Porque reagimos? Engajamos num sistema de crenças que faz com que vejamos o mundo com base nele. Ficamos com medo e sentimo-nos frustrados. Andamos constantemente em modo de fuga-ataque. E lá vem a confusão, o desespero…e o stress.

A verdade é que esse sistema não somos nós. Identificamo-nos com ele, mas nós não somos esse sistema. Ele é uma panóplia de ideias e construções da realidade que não corresponde à nossa energia. Constrói um cerco às nossas emoções e faz-nos crer, quase apaixonadamente, que não há solução.

É assim que labora dentro de nós aquilo que na verdade não somos nós.
Devemos ser tontos, com certeza!
Não! Não somos! Ou melhor, depende…










Somos seres em movimento. Se residem no nosso subconsciente as crenças que nos atordoam, a nossa energia fica bloqueada, sem falar no cortisol e na adrenalina, e a sua produção em massa. 
O princípio fundamental é o movimento. A nossa energia é energia porque é movimento.
Ter emoções, sentimentos, sensações, estranhezas até, não é mais que sintonias com o movimento (energia). Tudo é feito da mesma coisa.
Se optamos por ficar presos às emoções e afins, reagimos. É como se fechássemos o sol dentro de uma caixa.

Reagir é não estar bem com a vida. E quem não está bem com a vida não está bem consigo mesmo (por ordem inversa).
Por vezes podemos pensar que o mundo é um lugar sombrio, mas na verdade ele é infinitamente maior que uma simples crença.
O que fazer?

Em primeiro lugar é importante perceber o que não devemos fazer. E o que não devemos fazer é tentar eliminar esses filtros que nos moldam tão eficazmente.
Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma…certo?
De que forma podemos gerar transformação e assumir o nosso movimento, ou dito de outra forma, a nossa autenticidade, o nosso talento, a nossa inteligência, vivência, frequência/energia?

Um pequeno diálogo interno, uma busca divertida aos meandros das nossas sensações, muitas delas negadas por nós mesmos. Questionemo-nos! Nada de grandes dissertações, preparações ou análises profundas. Nada disto! Basta uma boa dose de honestidade.
Inevitavelmente percebenos que as respostas que vão surgindo são somente ideias, muitas delas rígidas demais, falsas até, outrora ancoradas no profundo do nosso ser.
Seja o que for, não importa. Perceber que temos de as deixar incorporar o seu próprio movimento é respeitar a nossa energia.

Afinal Emotion é Energy in motion :-)
 
Prescinde de muito esforço este contacto com o nosso registo profundo. Na verdade, é somente um registo, uma impressão repetida ao longo da nossa vida, e não nos pertence…de todo.

Reconhecer o movimento nas coisas, tais como crenças, ideias, emoções e toda a existência é respeitar a fonte do universo.

Sejamos simples, desapeguemo-nos do que herdámos e deixemos o movimento tomar conta do resto.

Se temos dias bons e dias maus, se pensamos coisas em demasia, se ainda procuramos um caminho, ou melhor, se ainda andamos à procura de nós mesmos, estamos com certeza a perder tempo.

Nada disso somos nós. Respiremos.

Somos infinitamente grandes. Nada nos separa do todo...e avançamos com ele a cada instante.

Quando perecebemos isto, é uma vida copletamente nova. 

 


Belief is the death of intelligence.
(Robert Anton Wilson)

Honesty is the first chapter in the book of wisdom.
(Thomas Jefferson)

Happiness is nothing more than a good health and a bad memory.
(Albert Schweitzer)

2018-06-21

Solstício Verão 2018



Portugal
Dia 21 Junho
Hora 11:07

Mais uma viragem, mais um desafio, mais uma expansão. O sol é isto, mais ainda, agora que a existência redefine um novo plano para a manifestação da nossa criatividade.

Podemos pensar que as coisas estão a evoluir, contudo este conceito tornou-se demasiadamente extensível para definir uma transformação precisa e, bem visto, 
primordial.
Não se trata de continuar na procura. Na verdade, nunca valeu muito a pena quando toca a encontrar aquela autoconfiança que nos faz de facto expandir.


Quer conscientes ou não, os processos hoje integram novas orientações, novos ensejos e um novo olhar. Está na hora de ser quem somos. As possibilidades estão aí para nós.

Se continua a ser um momento de adoração ao sol? Com certeza. No ponto máximo das coisas dá-se o fôlego profundo e é possível desfrutar ao máximo da essência. É exatamente isso que o sol revela.

Neste momento, já mais elevados, a confrontação pessoal deixou de ser basilar. Conectados com a fonte, só podemos mesmo sentir e gerar alegria.
É como um novo algoritmo que permeia toda a existência.
Um ótimo verão!